YALASÉ

YALASÉ


Yalase Fabiana D’Óxossi

Mulher negra, mãe do Arthur, herdeira da comunidade tradicional Ilè Axé Obà Adàkèdàjò Omì Aladó, Psicoterapeuta, especialista em Psicanálise, Grupalidade, e Intervenção nas Instituições; Pós-graduanda em Neurociência e Alta Performance. Tem como missão auxiliar as pessoas a encontrarem seu potencial e as desenvolverem no campo emocional e espiritual, a partir da Psicologia e do Candomblé.

Carreira desenvolvida na área da Psicologia Clínica atua com o atendimento individual e grupo, possibilitando a um desenvolvimento emocional para que a pessoa alcance sua alta performance. Na área Social atua na Proteção Social Especial de Média Complexidade no atendimento a famílias em situação de risco pessoal e social, por violação de direito.

Yalase Fabiana D’Óxossi também possui projetos aprovados pela Secretaria do Estado De São Paulo PROAC , voltados para crianças e adolescentes desenvolvendo atividades visando à cultura, música e arte como formas de redução de danos. Faz parte do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra de Campinas. Em 2011, em Campinas, recebeu na 21° edição a “Medalha Força da Raça”; na mesma cidade em 2015 recebeu o Prêmio Zumbi dos Palmares.

Em 2018, mês da consciência negra, foi convidada a palestrar na Fundação CASA Jequitibá sobre intolerância religiosa. Palestrou, em 2020, no Primeiro Módulo do Seminário Internacional Enfrentamento ao Racismo América Latina e Caribe. Em 25 de Julho de 2021, Dia Internacional da Mulher Negra e Caribenha – foi reconhecida como Mulheres Negras Guerreiras e recebeu a Medalha Tereza de Benguela.

Já encontrou seu rumo ??!

Escrevo para todos.. e para mim mesma.

Em algum momento da sua vida você já se viu sem rumo ? Mesmo tudo dando certo ou tudo dando errado, você continua a se sentir perdido. O mundo de hoje faz com que a gente sinta incompleto! Mas aprenda você não precisa ter para ser !! Você já é quem deveria ser !

Enquanto Yalase, digo: Você pode estar no melhor trabalho, ou ter passado na faculdade que sempre quis e ainda sentir-se sem rumo. O mundo atual tem colocado como valor: o seu trabalho, o seu currículo, as suas posses. Já vi muitos chegarem ao ilê com todas essas conquistas, mas ainda sim sentindo-se perdido.

O que vai colocar VOCÊ e EU no rumo é a FÉ!!

Conectar com a sua espiritualidade faz você se conectar com a sua identidade. Ti Fazendo encontrar seu próprio eixo. Desacelere e olhe para onde sua vida está indo ! Tem dúvida se sua vida está ou não no rumo ?? A pergunta que deve você fazer a si mesmo é uma só! Nos momentos que se encontra só, você sente em paz ?? Se a sua resposta for sim, você está no rumo.

Agora se sua resposta for algo diferente procure se conectar com sua fé, com seu orixá, com sua casa de candomblé e o principal, busque orientação do seu zelador (ra)

Só não aceite ter uma vida menos do que você merece! Aprenda a se ouvir, e ouvir o que os orixás tem dito a você: Que no dia de hoje, feriado Corpus Christi, Oxóssi possa alcançar o seu coração, te fazendo uma pessoa mais próspera, mais feliz e mais determinada como Oxóssi foi !

Abença as (aos) grandes baluartes

Yalasé Fabiana d’ Oxóssi

Por que aprender candomblé parece tão difícil?

O que levou você a iniciar nessa religião pode não ser mais o motivo que tem feito você permanecer nela.

Mas sempre escutei de muitos, que candomblé é muito difícil, que as cantigas são muito difíceis, hora porque o pronunciamento e a dicção leva à prática, hora porque há falta de não se ter um local onde você acesse para lê-lo , como um livro.

Hoje com a maturidade, eu tenho uma resposta para essa situação: Se você até hoje acha que o candomblé é difícil, digo que provavelmente, às vezes em que você estava vivenciando sua fé, no ilê, você estava com sua mente divagando.

Talvez o que eu diga agora não será bem aceito, e peço licença, na maior parte das vezes a verdade dói.

Estar na roça e pensar porque você está ali, te bloqueia de você aprender.

Enquanto você estiver pensando nos seus, ou na sua vida, a falta de um trabalho, uma casa que ainda não conseguiu comprar, um relacionamento,  um conflito com uma outra pessoa, tudo isso significa que o valor que você está dando à sua fé está sendo delimitado.

A maioria sabe que tudo aqui só se aprende VIVENCIANDO, e isso talvez seja uma das situações que acomodam a todos nós, porque naquele exato momento estamos ali, por nós, e tudo parece mais difícil quando está estritamente ligado ao “nós”

Mas, e quando por algum motivo estamos ali pelos outros, o que pode acontecer? Na maior parte das vezes você é tomado pela sua fé quando está em “grupo”, quando está com seus irmãos. Será que você já pensou sobre isso?

Quanto a sua fé aumenta, ao ponto de tomar você como um todo e naquele momento você agir e reagir de forma diferente, parecendo que, o que pra você era difícil de se aprender, se torna menor do que o seu sentimento de estar alí “A SUA FÉ”.

Como já dito aqui por mim, no candomblé só  aprendemos vivenciando, e em algumas circunstâncias isso se torna situações únicas, mas que mudam a forma de você acreditar o quão difícil é aprender os ritos, e toda a tradição. Como numa situação de morte: Iku não tem hora pra chegar. Não é como uma festa de candomblé ou uma obrigação onde todos se preparam e sabem que naquele período sua presença se faz necessária. Em um Axexê, você não tem tempo de aprender e aperfeiçoar seus conhecimentos

Mas então o que faz muito de nós aprendermos em um curto espaço de tempo, dialetos, obrigações e situações que não são diariamente vividas?

O que acontece nesse momento é que muitos colocam, acima de qualquer  importância, o valor que a palavra ACREDITAR carrega.

Quando você está ali em “grupo/com seus irmãos”, você compreende que aquela pessoa que acabara de se tornar egun, precisa da sua voz, precisa da sua fé, ou seja precisa de você.  Só assim aquele que não está mais entre nós consegue seguir o seu caminho. E você, que sempre reclamou ser tão difícil, começa a dar o seu melhor, e começa a ter êxito no que canta e faz tendo tempo Apenas para agir.

Quando você começa a acreditar que a fé é essencial ela cresce a partir da experiência comunitária.  

A fé no que você faz, ou seja, a fé que você tem em você mesma(o) se torna mais fácil quando acontece dentro de uma comunidade, já que a mudança acontece entre outras pessoas. Quando algo maior acontece, você simplesmente só precisa se entregar, e liberar sua mente de seus questionamentos, desejos, ou problemas. Talvez esse seja o maior dom e segredo das pessoas que deixaram e ainda deixam sua “marca” dentro do candomblé: a sua entrega.

Você talvez seja cético sobre a sua capacidade de mudar se estiver por conta própria, contudo um grupo pode convencê-la a suspender a descrença, fazendo você alcançar uma maior conectividade com a sua FÉ.

ACREDITE em todas as ações que você pratica na sua vida, ela é que vai fazer aumentar a FÉ que você tem em VOCÊ e no CANDOMBLÉ. 

Portanto, fique atento todas as vezes que você disser que é difícil aprender candomblé.

Yalasé Fabiana d’ Oxóssi

Simpatia para 2021

Antes da virada chegar, tenha em mãos papel e caneta! Eis aqui uma reflexão a ser feita.  Antes de desejar ou pedir algo, é indispensável que você se conheça. E você se conhece?

A maioria dirá que sim.

Será que o tempo e as coisas no qual você anda ocupando sua mente não é para fugir de algo? Olhe no seu intimo e veja o que lhe incomoda. Um medo? Uma dor? Um abuso?  Falta de coragem por? Insegurança? Por achar que não vai conseguir e por isso nem tenta?

Qual é a sua dificuldade? Você realmente se conhece?

Em todas as religiões, e no candomblé não é diferente, emponderamos as pessoas a acreditarem nelas mesmas, ajudando-as a estarem  mais próximas de quem são. Entretanto existem algumas situações que a fé não pode fazer por você!

O primeiro passo é  acreditar que, o que for fazer dará certo, caso contrario você não terá forças para concretiza-las, e se mesmo com pensamentos negativos você ainda sim conseguir, talvez não se ache merecedor(ra), já que durante o processo você se auto boicotava. Nada vai  acontecer se primeiro  não acreditar que é possível e que VOCÊ  é merecedor(a) de ter o que quer.

E ai, pensou? Descobriu quem você realmente é? Pergunto: Você realmente se acha merecedor(a) do que deseja? Se Você soubesse que o seus sonhos se concretizarão em 2021, quais ações de  hoje seriam diferentes?

Então, aqui vai a simpatia:

Comece a andar, pensar, agir e falar como se teu sonho já tivesse sido concretizado. O seu maior desafio é retirar as vendas  do medo, da incapacidade, da raiva, da mentira, que o impossibilita de enxergar teus sonhos.  Deixe em 2020 todas as desculpas que você mesmo(a) criou para não estar mais próximo (a) do teu sonho e do teu propósito.

O que te afasta dos teus sonhos? Se livre dele.

O que ti aproxima do teu sonho? Se souber a resposta, então o desenvolva.

Deixe em 2020 todos os empecilhos. Comece todos os dias de 2021 acreditando em você e lembre-se que nossos pensamentos geram nossas energias!  É a energia que está em você que vai atrair ou repelir as pessoas e ou situações.

Qual energia você começa a gerar logo pela manhã? Acorde e tenha palavras, pensamentos e atitudes positivas voltadas  para você. Por alguns minutos esqueça o celular, apenas levante e fale como gostaria que fosse o seu dia, sua semana e mês. 

A força do candomblé  está na oralidade“!

Quem conhece o candomblé sabe o poder que tem uma  palavra.  Ter fé é acreditar no que você não enxerga. Seja positivo e alegre, essas ações farão você dar um grande passo para conquistar o que deseja. Acredite naquilo do qual não vê.

Então por que é que você não faz isso com a sua vida também.

Comece também a ter fé  e acreditar em você, mesmo parecendo ser impossível de conquistar e concretizar o que deseja. Acreditar em você não é uma tarefa fácil, mas é compensadora, seja verdadeiro(a) consigo mesmo(a), saber de suas limitações não o torna um fracassado (a) e sim mais consciente dos caminhos que terá que percorrer para chegar aos seus objetivos. Exerça essa mentalidade diariamente.

Todo problema é a solução.

Saiba quais valores estão atrelados a você: verdade, respeito, empatia, saber dizer NÃO quando algo não ti faz bem, e saber dizer sim, deixando a sua prepotência e arrogância de lado, simplesmente porque o outro não pode saber o que você realmente quer ou sente.

Lembre-se que a vida que tem levado é apenas um reflexo do que você sente.  Portanto, se não tem gostado do reflexo,tenha coragem: MUDE. Comece a enxergar teus sonhos e objetivos através do que você fala e do que você acredita.

Celebre sua vida! Celebre sua fé!

Que em 2021 vocês renovem sua fé, sua espiritualidade, e acreditem em você.

Yalasé Fabiana d’ Oxóssi

No Candomblé, “O NOVO AGORA”

exige de uma líder desenvoltura, carisma, autoconhecimento e adaptabilidade. Desenvoltura para lidar com as diferentes pessoas que estão no mesmo espaço;

Carisma, porque naturalmente somos atraídos por pessoas que demonstram carisma, e com isso, sorrir e ser bem humorada, promove ativamente sentimentos positivos em outras pessoas;

Autoconhecimento, porque permite a si conhecer, administrando suas emoções, podendo assim conduzir as relações com menos conflitos. Adaptabilidade é a característica que determina a sobrevivência da liderança, quanto às novas exigências do mundo atual.

Aos Babalorixás e Yalorixás que antecederam a nossa geração, tinham como única exigência a sabedoria espiritual.  A falta de desenvoltura, carisma, autoconhecimento e adaptabilidade resultavam em medo causando respeito.

Hoje essa mesma postura resultaria em ódio e raiva para com o liderado.

Quem está certo? Ambas as gerações.

A evolução acontece de forma natural, e a postura de um líder no Candomblé do passado, conduziria a saída de muitos no dia de hoje, visto que, aos que chegam no Candomblé em busca da espiritualidade, esperam que seu líder possua todas as características do “Novo Agora”.

Pela falta delas, ela (e) poder transmitir às pessoas do Ilê insegurança, resultando o não comprometimento, e por consequência, a sua saída.

A vida exige constante evolução, e saber se relacionar é primordial para manter a conexão entre o sagrado e as pessoas, sem perder a essência.

Yalasé Fabiana d’ Oxóssi

O que busca uma pessoa quando se inicia?

Antes de pensar em sua caminhada da transcendência espiritual, olhe para outros aspectos de sua vida.

Você estará usando sua iniciação como uma bengala ou como uma forma a ser vivida? Se conectar com o sagrado, na intenção de ganhar, significa que está querendo dele algo que você não desenvolveu. Muitos, ao invés de desenvolver suas habilidades usando tudo aquilo que o sagrado criou, preferem a ideia de que o sagrado pode dar essa habilidade que não acredita possuir. É como suplicar ao outro, dar o que já existe em você.

Eis aqui o maior feito que um Babalorixá ou uma Yalorixá tem a cumprir: mostrar a cada um que o seu “DOM” já existe, dentro de você. E ao divino devemos apenas agradecer, inclusive pelas dificuldades, por que ele é único. São as dificuldades que vão gerar seu avanço e fazer você alçar esse “DOM” que tanto procura.

A pessoa que entende isso, não utiliza sua energia para fazer pedido: primeiro porque sabe que é sua responsabilidade suprir suas necessidades, e em segundo porque sabe que ela já possui esse “DOM”.

Acredite em você, e use seu potencial para alcançar seus objetivos e na jornada fique atento aos sinais e perceberá a presença do Orixá.

Yalasé Fabiana d’Oxóssi

Uma forma de homenagear aos que se foram é reconhecer aos que ficaram.

Uma forma de homenagear aos que se foram é reconhecer aos que ficaram.

Pare um segundo e volte no tempo. Todos aqui conhecemos alguém que partiu, onde em algum momento, ao lhe escutar, nos direcionou com sábias palavras.

O tamanho do seu legado não é medido pelos bens que deixou PARA as pessoas, e sim pelo o que deixou NAS pessoas.

As chances desse “Carma” se perpetuar através de você são grandes, já que fazer o bem é algo que começa pequeno e nunca acaba, é contínuo. Está claro que fazer o bem, não trará de volta à vida aqueles que se foram, e dependendo do ponto de vista torna a vida de quem fica mais difícil.

Para todos: “o Candomblé tem começo, meio e fim. E para aqueles que se foram, é o término de um ciclo. Já, para aqueles que herdam, fica a responsabilidade de dar continuidade a um legado”. 

Aos escolhidos como herdeiros que se questionam incapazes, parafraseio “Friedrich Nieztschi”: “aquele cuja vida tem um porquê, pode suportar quase todos os comos”. Deste modo, todos que foram escolhidos para dar continuidade ao legado, já têm o seu por quê.

Não subestime seu poder de visão e direção. São forças irresistíveis que podem transformar o que aparentam serem obstáculos intransponíveis. Fortaleça seu individual, cuide-se de si mesmo, como cuidaria de alguém sob sua responsabilidade. Lembre-se, você estará ajudando a direcionar o mundo em sua trajetória descontrolada para uma direção melhor.

Quando finalmente entendermos os nossos porquês, de fato devotaremos nossa vida a um proposito maior.

In memória aos grandes Baluartes, em especial o Babalorixá Tonhão de Ogun, nosso irmão, compadre e amigo.

ìye ainipẹkun to awọn ti wọnyẹn iku” – vida eterna para aqueles que morrem

Yalasé Fabiana d’ Oxóssi

 

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